Na Nieuwe Leliestraat, no bairro do Jordaan, uma pedra de fachada mostra um cão com uma coroa. A inscrição, “D’ Gekroonde Waterhont”, significa aproximadamente “o cão-d’água coroado”. A peça encontra-se no número 109 e é datada de 1732.[1]
A imagem lembra o cão de água português, raça originária de Portugal e tradicionalmente ligada à pesca. Estes cães ajudavam os pescadores a recuperar redes e objetos e a levar mensagens entre barcos e terra.
Essa semelhança levanta uma pergunta curiosa: terão cães portugueses chegado aos Países Baixos a bordo de navios? As rotas marítimas ligavam portos europeus, e os cães de trabalho acompanhavam pescadores e marinheiros. Ainda assim, não há registos conhecidos que identifiquem o animal da pedra como um cão de água português ou que documentem a sua chegada a Amesterdão com marinheiros portugueses.
A pedra permite afirmar que, em 1732, uma casa da Nieuwe Leliestraat era associada a um “cão-d’água” coroado. Uma fonte local descreve a figura como semelhante a um caniche e refere também o nome “cão branco coroado”. O termo pode designar um cão ligado à água sem apontar para uma raça específica.[2]
A ligação portuguesa permanece uma possibilidade evocada pelo nome e pela imagem. Seja qual for a origem do animal representado, a pedra preserva um fragmento da vida do Jordaan: numa época em que as casas eram reconhecidas por símbolos e nomes, um cão coroado podia tornar-se a sua marca.
Referências
[1] Inventário de pedras de fachada de Amesterdão — Nieuwe Leliestraat 109
[2] História dos nomes de casas do Jordaan — “De gekroonde waterhont”